Teimoso esse sentimento né seu moço? Chegando assim, de uma hora pra outra, sem ser convidado, entrando sem pedir licença...feito aquelas visitas indesejadas não é mesmo?... Vem logo sentando na poltrona macia, querendo aquele cafézinho das 5, com direito a bolo e tudo. Um pedaço? Não seu moço! Esse sentimento aqui vem logo querendo o bolo todo, e naquele pires bonito que o senhor nem usa com medo de quebrar sabe...Seu moço já recebeu visita assim antes não é mesmo?...É... A gente vê nos olhos do seu moço... E não foi bom não. A alma do seu moço que ta dizendo...
Gritando...
Mas não se irrite com essa visita aqui não! Recebe ela bem. Naquela malinha de mão que ela trouxe tem coisa boa...coisa muito boa seu moço. Coisa boa que ela trouxe de presente pro sinhô. Pra mostra pro sinhô. Pra dividir com o sinhô.
Tem medo não, nem toda visita é igual sabe...Aceita a malinha. Pega a visita pela mão e passeia. Respira. Sente. Vai viver! Vai viver que eu acho que dessa vez a vida vai ser generosa com ocê Seu moço...
Vai Seu moço.
digitações escreva pena - escreva , transitoriedade
Voltam as borboletas
Ela sentia aquele frio esquisito na barriga enquanto via ele se aproximar . "Mas que droga é essa agora?Como se já não houvessem problemas o suficiente na minha vida!" Pensava.
"Ele tem um olhar tão... tão... instigante... tão Decifra-me ou Devoro-te" E ela gostava disso. Gostava desse mistério sob o qual o olhar daquele garoto estava envolto. Sentia-se instantaneamente atraída por esse tipo de olhar, mesmo sem entender exatamente o porquê.
As velhas borboletas voltaram a se agitar em seu estômago, mas... horas, era óbvio que ela estava inventando tudo aquilo, dizem que a monotonia faz isso com as pessoas não é mesmo?
Ele sentou-se, e começou a conversar com uma garota. Suas bochechar arderam e algo ácido se pronunciou em seu estômago" Ai, Deus, fala sério... Não acredito que to fazendo isso denovo, vamos, cérebro pense agora, e faça-me o favor de bloquear essa maluquisse agora tá me entendendo?!, olhos, parem de encara-lo em 3...2...1 "
Seu coração bateu descompassado... Mas, desde quando havia um coração ali novamente? Quando ele havia voltado? E porque não a avisou? Até onde ela se lembrava, ou queria se lembrar, o ultimo que passou por ali o havia congelado. Num relampago ela se lembrou de uma frase, que devia ter lido em algum livro: De quantas maneiras um coração pode ser despedaçado e ainda continuar batendo?
Ela não sabia a resposta, mas lá no fundo, seu subconsciente entendia que talvez, só talvez, fosse possível.
digitações Dê-éssês , escreva pena - escreva
Liberta.
Então ele volta, com aquele sorrisinho besta na cara, com aquele olharzinho cínico, com suas íris azuis e profundas, com as suas palavras doces e ironicas, com seu corpo inspirador e sua alma suja. Ele a puxa num subito abraço. Ela permaneçe imovel. Irreal.Sentindo o falso aperto daqueles braços acalorados. Ouvindo falsas palavras sussuradas em seus ouvidos. Reprimindo os mesmos velhos impulsos de sempre.Auto controle.
Ele a gira no ar, reencontrou sua princesa, sua tola e idiota princesa. Novas palavras. Velhas ilusões. Ele a olha nos olhos, aquele mesmo olhar penetrante, um poço sem fundo. Ela não cairá novamente. Seus olhos castanhos maçantes permanessem impenetráveis. Olhos de vidro. Ela renovou a blindagem querido. Desista. Ele não desvia, sabe o que quer. Mãos na cintura, íris azuis. Um puxão lento. Ela está oca. Seca. A tola morreu querido. Ela cospe em sua cara. Um ultimo olhar de vidro. Se vira e vai embora.
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Pé esquerdo
Dane-se... Hoje eu vou ficar exatamente onde estou. Não quero levantar. Não pretendo acordar. Continuarei no mesmo quarto escuro de portas fechadas respirando a mesma poeira de sempre. Não me banharei com fagulhas solares, e dai se o dia está bonito? O meu interior não está. Hoje as janelas não serão abertas... a luz não entrará, não brilhará... não hoje. E dai se há pessoas lá fora? Não estou afim de novas amizades... hoje não estou afim nem mesmo das velhas amizades. Hoje não estou afim das pessoas, de ninguém. Cansei. Continuarei aqui, mofando, deteriorando, nessa porcaria de quarto escuro, nessa porcaria de casa pequena, com essa porcaria de irritação, ouvindo qualquer porcaria de musica e escrevendo qualquer porcaria de coisa...Curtindo a maior fossa sem motivo nessa porcaria de dia bonito. Nessa porcaria de vida.
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She is
Agora ela descobriu... ela tem certeza que descobriu. Era tão obvio que chegava a ser ridículo. Como não havia pensado nisso antes? ... Imbecil. Burra. Estúpida. Qual é o grande problema? Porque ela não conseguia entender o mundo a sua volta do jeito que ele era?
Talvez por que ela projetou um mundo a sua volta antes de conhecer o real. Talvez porque ela ja tinha passado a acreditar no seu mundinho perfeito. As vezes uma mentira soa tão bem que o próprio autor passa a acreditar na mesma. Já podia até mesmo nomear a situação "A criatura voltando-se contra o criados, parte 2." Tonta. deixar-se levar por uma coisa tão... tão obvia... Porque, é claro que, quando tudo está perfeito demais, nó devemos esperar por um desastre não é mesmo? Uma catástrofe. Uma tsunami. Um dilúvio. Inocente.
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Ah,
Ele só queria entender o valor das coisas que tem... que tinha, antes de qualquer possibilidade de perdê-las. Ele só queria saber o que as pessoas desejavam dele, antes de estragar tudo. Só queria ter uma chance, e perceber que recebeu a mesma antes de errar novamente. Ele só queria que o tédio terminasse, que a solidão o esquecesse, que o dia começasse, que o dia terminasse. Ele queria alcançar o impossível. Mas ele não via de que forma isso seria possível.
Talvez ele só precisasse ... ah, tanto faz.
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Madrugada
*Shhhhhhh! o bebê acabou de dormir!*
*Shh? Mas eu nem tô fazendo barulho Ju...*
*Ah não Rogério? Tem certeza?*
*Amor! Que isso! vem deitar aqui vem, você precisa descançar um pouco...*
*Amor? AMOR? Agora é amor né! Mas na hora de levantar pra trocar fralda, esquentar mamadeira, dar remédio o amor some não é "Rô" !*
*Que isso Maria Julia? Eu não to fazendo nada poxa *
*Exatamente Rogério! você não está fazendo nada, absolutamente N-A-D-A é esse o problema! Eu faço tudo por aqui*
*Ah Julinha, vem descançar, você anda estressada demais, vem...*
*Estressada Rogério Alberto? Estressada? *
*Amor, vem deitar...*
*Vai dizer que eu to mentindo agora? É só o que faltava né! Eu lavo, passo, cozinho, cuido do jardim...*
*Maria Julia...*
*Limpo a varanda, faço compras...*
*Amor...*
*Tenho que aturar a sua mãe toda vez que ela resolve dar uma "passadinha" aqui, olhando com cara de nojo pra tudo o que eu faço, com cara de desaprovação pra casa toda...*
*Juli...*
*E você acha que é facil? Acha Rógerio? Todo mundo reclamando, me dizendo como fazer tal coisa dentro da minha própria casa, me tratando com despreso...*
*Querid...*
*QUE FOI ROGÉRIO?*
* O bebê acordou*
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Escreva.
* Escreva, vamos, escreva!*
Esse era o único pensamento que ele tinha em frente a folha pautada completamente em branco
*Vamos, qual é, não é tão dificil assim ter uma ideia boa!... Tudo bem, pode ser uma ruim mesmo, não importa, vamos, escreva, agora!*
Uma chicara de café, duas chicaras, três... perdera a conta, que horas são mesmo? Ah, tanto faz... a vida tanto faz, eu tanto faço, você tanto faz. O mundo não irá parar, não dará por nossa falta, somos insignificantes mesmo não somos?
*Vamos! Droga!, Uma ideia, uma mísera ideia! O que custa? Preciso escrever, vamos!*
As ideias faltam, os sentimentos faltam, as pessoas faltam, voce me falta.
*Preciso de mais café...Que barulh...chuva? Quando começou a chover? Preciso de um cigarro.Não, eu não preciso de um cigarro, preciso de café, posso sobreviver com apenas um vicio. Droga. Mantenha o foco, escreva, agora!*
O barulho reconfortante dos pingos d'agua, acalmam, acalentam. ele poe uma música baixa pra tocar, qualquer música, qualquer ideia serve.
*Ah, qual é! agora voce pode me dar uma ideia, a musica sempre funciona não é mesmo? Vamos, qualquer coisa.*
Não funciona. Um bloqueio denovo, falta de ideias, falta de inspiração, falta de voce.
*Preciso escrever, pelo amor de Deus, preciso escrever alguma coisa, qualquer porcaria!*
Uma música, duas, três...mais café por favor, apenas um vicio, mantenha o foco. Nada. Ele desiste. Escreve um nome na folha. desenha algo. mais palavrões. Larga a caneta sobre a folha rabiscada. Dane-se. Nada vai dar certo.
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Carta de um marido que está sozinho a alguns dias em casa.
Querida!
Como vão as coisas? espero que esteja correndo tudo bem com o lançamento do livro, estou torcendo muito por você.Será que você ainda precisará ficar muitos dias fora? eu e as crianças estamos sentindo sua falta.
Bem, por que esta tudo...normal. Acho até que estou me saindo bem sozinho.
Faz três dias que estamos comendo pizza e pipoca. As crianças estão mais felizes do que nunca. Você sabia que a louça suja pode criar uma coisa verde se a gente deixar ela na pia? Pois é, estamos descobrindo coisas novas por aqui.
Quanto tempo é necessario deixar os ovos na água pra que eles cozinhem? ontem tentei variar um pouco, mas acho que 1 hora de fogo não foi suficiente, eles ficaram duros feito pedra. Hoje vou deixar eles um pouco mais pra ver se funciona.
Lavamos a roupa suja ontem, mas acho que exageramos um pouco no sabão em pó. Você não usa uma caixa inteira pra lavar? Bem, a maquina começou a fazer um barulho estranho e quando percebemos, a casa inteira estava cheia de sabão, inclusive aquele tapete persa que você herdou da sua avó. Mas não se preocupe, ja coloquei ele pra secar no sol... ele esta com uma cor estranha, meio branco, mas quase não da pra notar.
Ontem levei as crianças ao parque. Você precisa ver como elas se divertiram! Estão todas vermelhas de sol, por isso passei um pouco daqueles seus cremes importados da frança, que você guarda na prateleira alta do banheiro pra que elas não peguem. Tenho a leve impresão de que, quando saimos, não tranquei direito a porta... talvez alguem tenha entrado em casa, por que não estou encontrando os pratos, nem os talheres. Algumas das minhas meias sumiram. A Katy disse que elas devem ter ido para "o mundo encantado das meias". Tambem não estou encontrando sua coleção de sapatos.
Bem, esperamos todos ansiosamente sua volta. Não se preocupe, esta tudo sobre controle, te amamos muito.
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Um sonho singular
*Vós não estais dizendo a verdade... Não pode ser...
*Eu, eu sinto... que sim. Não devo mais permanecer nestas terras. E vós de modo algum deverás partir comigo.
Foram estas as palavras que partiram o coração de Alberto. Como? por quais motivos sua amada Charlotte deveria partir tão rapidamente? era de esperar-se que após tanto sofrimento, pudessem desfrutar de seu amor.
Crescidos e criados lado a lado, toda a sociedade paulistana conseguia ver o belo casal que ali estava a se formar. Porém a vida os fez trilhar caminhos diferentes. Alberto, moço bem apanhado, viçoso, de boa posição, viajara o mundo em busca de "conhecimento", porém quem conhece a história sabe que este apenas tentava fugir da realidade que o separara de sua amada. Charlotte, moça de beleza singular e simpatia inigualável, casara-se com um rico benfeitor que a tirara de uma futura vida religiosa, porém, nunca seria feliz ao lado do mesmo... Não com o fantasma de seu amado Alberto rondando-a em toda aurora, em todo crepúsculo.
*Não deixarei que partas, não deve fazer isto conosco, não pode...
*Faço isto para o nosso bem meu amado, não penses que a ideia de separar-me de vós foi das mais atraentes a minha vista, porém, esta é a única maneira de preservar-te do mal iminente meu querido...
Charlotte dizia tudo de cabeça baixa, com lágrimas a escorre pela face. A delicada luva de pelica deveria estar destruída a esta altura... duvidara que alguém conseguiria remover as manchas deixadas pela maquiagem... Alberto segurava uma de suas mãos, como quem quer impedir algum ato impensado. Ela não conseguia nem ao menos encara-lo, queria lembrar-se dele da melhor maneira possível, conservaria as lembranças felizes, obtidas através de maravilhosas tardes de passeios ao parque, de mãos dadas, discretamente, para não serem percebidos.
*Ao menos me dia o porque de tal pensamento
*Não devo
* E queres que deixe-a partir assim, sem ao menos explicar-te?
*Peço apenas que não dificulte a situação...Quando chegar ao meu destino, mando-lhe uma carta, explicando o motivo de tal partida. Não devo de modo algum contar-lhe agora... seria perigoso demais...
* Por Deus Charlotte!!! O que poderia ser mais perigoso do que tudo o que já enfrentamos juntos? Achas que meu coração ficará em paz sem saber onde vós se encontrará?Acha que..que poderei dormir sabendo que vós estas por enfrentar este tal perigo do qual não quer falar?
Alberto agora também chorava e, em meio ao pranto, gritava exigindo explicações, já não conseguia manter a calma vendo que Charlotte parecia estar decidida. Será que o amor havia se acabado? Deveras que ele andara muito ocupado... Mas... Não... Ela não o abandonaria por tais motivos...
*Preciso partir agora... por favor Alb...
As palavras foram sufocadas por um beijo ardente e inesperado em meio as lágrimas, um ultimo beijo, do qual ambos se lembrariam para sempre. Ao término do mesmo, Charlotte retirou o delicado anel de ouro cujo um valioso diamante, singelo, havia sido incrustado, entregou-o a Alberto.
*Quero que o guardes, em memoria de todo o meu amor por ti, em lembrança de cada alegria, de cada sorriso, e de cada momento em que vivemos em presença um do outro. Peço-te apenas uma coisa, nunca se esqueça dessa parte da sua vida, dessa parte em que eu estive presente, leve-a contigo aonde fores. Seja feliz novamente, mas nunca esqueça da felicidade que ambos compartilhamos um dia. Olhe para o céu, em toda 1° noite de lua cheia, eu também farei o mesmo, ela será a nossa cúmplice, a cúmplice do nosso amor, quando olha-la, poderás ouvir minha voz, sentir meu perfume, tocar minha pele, e reviver tudo o que já passamos juntos. Adeus.
Ao dizer isto, Charlotte se foi, para nunca mais voltar, sacrificando-se em nome do mais puro amor já sentido algum dia.
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Finais felizes...
Sim, eles até existem, nos contos de fadas, quando depois de um puta sofrimento o casalzinho encantado vive feliz pra sempre. Porém nós, seres humanos, preferimos invariavelmente parar na fase do puta sofrimento, achando que não tem mais jeito.
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Quando a gente realmente gosta.
E então ela o viu. Era mais alto que ela, cabelos lisos, curtos, de um tom castanho mel, pele alva, muito alva, olhos castanhos puxando para o verde, bom porte. "Um conjunto bonito", pensou ela "Mas... um tanto artificial..." completou.
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Só mais um pensamento.
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Detalhes.

Era noite, cerca de 11 horas, mas ela precisava sair, precisava respirar o ar puro e doce da noite, sair do ambiente claustrofóbico em que se transformara o seu quarto.
Conseguiu destravar a tranca da grande e ornamentada porta da sala de casa, uma exigência da mãe no projeto da casa, sem acordar ninguém, um feito quase heróico comparado ao estrondo que a monstra fazia todos os dias.
Saiu, parou um tempo observando o grande e belo jardim que compunha a frente da casa, seu coração palpitou mais alto, o quintal não era suficiente, muito menos adequado ao seu momento, lhe trazia muitas lembranças, que outrora foram felizes, porém hoje apenas a fazia verter lágrimas e mais lágrimas. Pegou a pequena chave do cadeado do portão e destravou-o sem problemas, saiu e tomou o cuidado de deixar tudo do mesmo modo como estava.
Andou um pouco sem pensar num local para ir, caminhando apenas no modo automático olhando para o céu...Ah o céu!, com suas belas estrelas e sem nenhuma nuvenzinha para lhe atrapalhar a vista, parecia estar compartilhando intimamente de sua loucura de fugir por algumas horas da noite de casa.
Seguiu caminhando pela conhecida rua, olhando para cada pequeno detalhe, tentando gravar o máximo de informações que pudesse, de uma forma até mesmo estranha... era como se...se sua vida dependesse disso, ou pensando melhor... como se jamais fosse voltar a ver aquele local novamente, o que até seria bem provável já que a qualquer momento um louco poderia saltar de um arbusto e fazer sabe Deus o que com ela, pois já eram altas horas, e, segundo ouvira, esse era o horário preferido dos maníacos de plantão...não que ela já houvesse visto um tipo desses mas....o pensamento causou-lhe um certo arrepio na coluna, e ela tratou de afasta-lo logo, pois o importante era ocupar-se para justamente não pensar em nada... o que estava vendo mesmo? Ah sim, os detalhes. Teve a tênue sensação de que alguém a observava, bobagem... deveria ser efeito do pensamento idiota tido anteriormente.
Uma leve brisa soprava chacoalhando de leve os galhos mais altos das árvores, numa sinfonia natural relaxante, um leve cheiro de grama molhada perfumava o ar, efeito da chuva de horas antes, tudo perfeitamente calmo, silencioso... silencioso até demais. Percebeu que aumentara inconscientemente o ritmo calmo em que ia, podendo ouvir com maior clareza agora o som de seus sapatos contra o asfalto molhado. Começou a reparar nas casas, em seus bem cuidados quintais, em suas cores frias e arquitetura levemente fútil... que aliás, eram bem parecidas com a sua casa, da qual aliás ela se distanciara um pouco além do que pretendia. Bom, pelo menos ela estava ocupada em reparar nas coisas e não estava sozinha com seus pensamentos, o que era bem pior do que ficar andando na rua a noite...sozinha... aquela sensação estranha voltara novamente, olhou para os lados, procurando algo que pudesse estar observando-a por entre a escuridão das casas e o embaralhar das árvores...nada. "Devo estar mesmo precisando de terapia" pensou ela e foi nessa hora que ela o viu. Mais lindo do que nunca, com aquele ar de mistério de sempre, pele alva, cabelos de um tom indeterminado de castanho, completamente desalinhados em sua perfeita arrumação, e olhos penetrantes, provocativos, mais humanos do que nunca estiveram antes, caminhando... caminhando até ela. Por um momento ela deixou-se levar pela fantasia que aquele adorável ser a fazia ter todas as noites, por aquele sonho que a dominava a meses, desde o maldito acidente... as lembranças voltaram. Os dias no parque, os primeiros encontros às escondidas no lugar secreto que só pertencia a eles, os beijos roubados, as longas e ferventes noites de amor... tudo com uma ternura imensúravel e um carinho infinito...até que o maldito acidente fez romper-se todos os laços que existiam entre eles, fez com que eles passassem a viver distantes um do outro, em mundos diferentes. "N..não pode ser...você...mas..." ela não conseguia pensar direito "Eu disse que nunca te abandonaria", "Co...Como é... possível?" "Eu nunca sai do seu lado, nunca te deixei e nunca, NUNCA te deixarei" " Não... não... você esta morto, MORTO!" tudo estava girando, rápido demais, e foi nesse nesse instante que o mundo se apagou.
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Vazio.
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Mais um dia rumo ao fim
Ela levanta e inicia mais um dia que para ela seria como outro qualquer, apenas mais um dia rumo ao fim. A rotina começa, escovar os dentes, tomar o café da manhã, encenar novamente a adolescente feliz e contente que esta sempre de bem com a vida...apenas aos olhos alheios. Somente ela sabe como se sente, somente ela sabe como é dificil suportar a dor q a destrói por dentro e ainda ter que encarar o mundo lá fora fazendo com que sua vida pareça perfeita, e até poderia ser, se nada tivesse acontecido mês passado.
11:45... a mãe bate na porta do quarto segurando um pequeno embrulho. Ela abre a porta com um sorriso resplandescente no rosto...Ah! como era difícil ter que fingir o dia todo...a semana toda, para a segunda pessoa que ela mais amava nesse mundo...apenas a segunda. Ela abre o embrulho, percebendo que a mãe aguardava ansiosa por sua reação, e um pequeno relicário de ouro em forma de coração cai sobre seu colo, exatamente igual aquele escondido na caixinha de madeira no fundo do seu guarda-roupas...Oh Deus...as lagrimas não podem esperar até q a mãe saia do quarto?... a resposta vem na mesma hora, malditas traidoras! ao menos ela ainda consegue sorrir, o que leva a mãe a pensar que as lagrimas sejam de emoção... afinal, aquele havia sido o primeiro presente valioso que ela lhe dera. Ela pede para filha se apressar pois hoje o almoço seria especial, com tudo o que a filha gosta... " Nem tudo o que eu gosto estará lá" ela pensa em resposta.
Como isso pode acontecer? Como? Ela pega o presente com as mãos ainda tremendo, ao abrir encontra uma foto daquele final de semana na fazenda, daquele passado em que ela ainda vivia. Lembra-se então da foto do seu relicário escondido... Ah! como ela foi feliz, como tudo pode ter tomado um rumo tão inesperado? Lembra-se da jura gravada no verso... Amor eterno... as lágrimas voltam.
19:45... os convidados para sua pequena balada particular logo começarão a chegar... é hora de vestir a máscara da mocinha feliz novamente. E claro que sua roupa estava impecável, seu cabelo maravilhoso, suas unhas perfeitas... mas de que isso valia? A grande tristeza a invadia por dentro, a cada dia que se arrastava, lentamente...
Hora do parabéns, todos cantam alegremente, mas sua mente não consegue focalizar os rostos conhecidos, afinal, o seu preferido não estava lá... "Apenas mais um dia" pensa ela... "Mais um dia rumo ao fim".
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